quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Grandes esperanças

Olá, torcedor. Tem alguém aí? Dê um sinal, se puder me ouvir. Soube que você está se sentindo deprimido, preocupado. Relaxe.

Sim, é verdade que nos céus azuis, os albatrozes sobrevoam, parados no ar. Céus azuis da dor que trazem ecos de um tempo desconhecido, rastejando assustadoramente pelos gramados. Ecos de um labirinto profundo, em busca da direção da luz.

Nossos heróis dos gramados são atordoados por fantasmas. O soar do sino da segunda divisão começou. Antes, a grama era mais verde, as luzes eram mais brilhantes e o gosto das vitórias era constante.

Vitória que martela as mentes dos jogadores, como quem diz, ao mesmo tempo “Preciso da vitória”, e “Você sabe que você simplesmente não pode vencer”. São as advertências aparecendo aos jogadores, gritando por todos os lados.

O ano está ficando mais curto, o campeonato também, e o Cruzeiro parece não ter mais tempo para reação. Ano que se foi com planos que não deram em nada ou em, no máximo, meia página de linhas rabiscadas.

Que não podem se transformar em uma queda em espiral para o buraco da Série B, que carrega um cheiro de uma enorme angústia.

Mas mesmo esses rostos cansados ainda possuem a simpatia do torcedor. Eles já viram essa esperança antes. Uma luta entre o azul que todos uma vez conheceram. Hoje, um menino ganhador e perdedor. Um mineiro da verdade e da ilusão, surpreendido pelo fogo cruzado.

O torcedor deseja que esses bons tempos possam ser resgatados pela equipe. Sim, ela poderia trazer isso de volta. Os dias mais felizes de nossas vidas. Nós e eles. Afinal, somos todos homens comuns.

Respire, Cruzeiro. Respire o ar. Não tenha medo de se preocupar. Procure ao redor e encontres seu próprio chão. Tire o lunático do gramado.

Que você, Cruzeiro, volte a brilhar como o sol e siga em busca da glória. Que você, Cruzeiro, deixe de ser alvo de risos distantes e volte a ser a lenda, o diamante louco e brilhe! E que grite bem alto: “Adeus mundo cruel do rebaixamento. Estou lhe deixando hoje. Adeus.”

Para sempre e sempre.

* Com citações e reflexões inspiradas pelas obras imortais do Pink Floyd.
** Texto dedicado aos mestres Bruno Rossano, Gabriel Souza Cunha e Beto Baeta, e a Júlia Calácio, jovem talentosa que faz muito “experiente” se enforcar na corda do caranguejo.

Cheers!

Fabinho Cunha

Cada vez pior

Repetitivo é pouco. Falar do Galo e sua má fase tem se tornado crônico. O pior é que, a cada partida, a situação fica cada vez mais complicada e a chance de rebaixamento se torna ainda maior.

Uma vitória convincente sobre o Santos, a torcida se empolga, acha – mais uma vez – que agora o Atlético sai do fundo do poço. Na rodada seguinte, voltamos à dura realidade: o time deixa o campo derrotado e desperdiça mais uma oportunidade de sair da zona de rebaixamento. Domingo passado, em São Januário, 2 a 0 para o Vasco, fora o baile.

Perdemos fora de casa, com a equipe completamente desfalcada e para um clube que disputa a primeira colocação do Campeonato Brasileiro. Situação que poderia ser, até certo ponto, aceitável, caso o Galo não necessitasse tanto dos pontos de cada jogo nesta reta final da competição.

As projeções matemáticas apontam que são necessários 44 pontos para uma equipe escapar do descenso. O Galo tem 30 até agora e 24 pontos em disputa até o final. Oito jogos. Cinco vitórias para permanecer na série A. O risco de rebaixamento é de 53%.

Nossa via crucis até a salvação passa pelo Fluminense no Engenhão, Palmeiras e Grêmio em casa; Figueirense, no Orlando Scarpelli; Coritiba, na Arena do Jacaré; Corinthians – lutando pelo título – no Pacaembu; Botafogo e Cruzeiro (com a torcida deles) em Sete Lagoas.

De todos, creio que os três últimos adversários deverão ser os mais complicados, já que almejam algo na competição.

Os demais, obviamente, pela tradição e até pela qualidade, exigirão muito do time de Cuca, que tem mostrado raça, mas falta aquele “algo mais” para somar os pontinhos que nos trarão o alívio da sonhada permanência na primeira divisão.

Tem muita equipe fazendo um esforço danado para ir para a segundona. Nossos rivais estrelados são um grande exemplo. Apesar de manchar ainda mais a imagem do futebol mineiro, pela situação de seus representantes no Brasileirão, sair da zona da degola e passar a vaga ao pessoal da estrela Mimosa, seria para lavar a alma. É se contentar com muito pouco, mas se podemos nos salvar e complicar um adversário, por que não fazê-lo?

Antes de encerrar, deixo meu abraço ao celeste Serginho, pai da amiga e repórter competente do CCO Nayara Vieira, que, apesar de torcer pelo time azul, é leitor assíduo do lado alvinegro da Rodada da Semana.

Saudações alvinegras!

Renata Silva

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Competência e ambição

Gilvan de Pinho Tavares venceu a eleição para a presidência do Cruzeiro. De goleada, por 391 votos a 48 do radialista Alberto Rodrigues. As primeiras palavras que pude acompanhar do presidente eleito foram dadas na última terça-feira, no programa Bate Bola, da ESPN. Gilvan já tem pela frente o desafio de ajudar a Raposa a sair desse pesadelo do rebaixamento e se disse pronto para “arregaçar as mangas”.

Para justificar a fase ruim da equipe, o novo presidente citou o número de jogadores contundidos e a falta do Mineirão, problemas que, sabiamente rebatido pelo gênio Paulo Cesar Vasconcelos, não terão solução agora. “O Cruzeiro terá que lutar contra essas dificuldades para escapar do rebaixamento”, disse PVC.

O mestre PVC, que, em seguida, questionou se o mandato de Gilvan será o “continuísmo” da era Perrella. A explicação do presidente foi baseada no tempo em que ele está no Cruzeiro. Conhece bem o clube pelos bastidores. Ótimo. Mas não é o suficiente. Faltou aqui uma colocação mais ambiciosa, que desse mais segurança ao torcedor cruzeirense.

O lado bom, observado pelo implacável Mauro Cezar Pereira, é que Gilvan Tavares terá tempo disponível para se dedicar ao Cruzeiro. Uma “dedicação exclusiva”, prometida pelo próprio presidente. Resta torcer para que essa dedicação realmente aconteça. O que não será o suficiente. Ele precisará de muita competência para dirigir esse grande clube. Gilvan parece estar bem preparado para tal, tem confiança dos conselheiros e declarou mudanças. Que sejam para o bem.

Mudanças que se, por exemplo, acontecerem nas divisões de base, a torcida agradecerá e muito. O Cruzeiro parou de revelar jogadores há muito tempo. Mas muito mesmo. E Gilvan parece que tem ciência desse problema e trabalhará muito, segundo ele, com Emerson Ávila, com o intuito de voltar a revelar estrelas da base.

Por fim, a colocação de Lúcio de Castro sobre os dois lados da Raposa: a inegável lista de belas conquistas e títulos e a situação do clube como “banco de negócios”, marcada pelas inúmeras vendas de jogadores. Gilvan citou os prejuízos que o Cruzeiro teve com a falta de um estádio e, consequentemente, com a queda do sócio do futebol. Além das cotas de televisão e patrocínio, com valores menores de clubes do eixo Rio-São Paulo. Vale a resposta, como deve valer muito a solução.

Gilvan Tavares se mostrou com os pés no chão e, ao mesmo tempo, aparentemente disposto a mudar muita coisa. Mais do que isso, a torcida exige trabalho, dedicação e conhecimento para colocar o Cruzeiro de volta ao caminho de glórias. Sorte ao novo presidente e que ele tenha competência de sobra e ambição suficiente nas decisões.

Cheers!

Fabinho Cunha

Uma década e muita diferença

Hoje completa-se 10 anos do melhor clássico mineiro que presenciei. E não foi uma goleada do Galo. Foi um empate. No Mineirão, um público de 88 mil pessoas. Uma década depois, a realidade é bem diferente.

Velloso; Baiano, Marcelo Djian, Álvaro e Ronildo; Gilberto Silva, Djair, Valdo e Ramon; Guilherme e Marques. Técnico: Levir Culpi.

Era essa a escalação do então líder incontestável do Campeonato Brasileiro há exatos 10 anos. Dos onze titulares, nada menos que dez tinham em seu currículo passagens pela Seleção Brasileira.

Eram os tempos em que o Brasileirão tinha 28 participantes e era disputado em turno único, com mata-mata em sua fase final.

Dia 06 de outubro de 2001, domingo. No Mineirão, um público presente de 87.781 torcedores. O Atlético chegava à marca de 10 milhões de torcedores em seus jogos em casa na história do Campeonato Brasileiro e tinha pela frente o time azul, que, assim como hoje, passava por uma crise sem precedentes e beirava a zona de rebaixamento. O meia Alex, em sua primeira passagem pelo clube, era um verdadeiro fiasco.

Como de costume, em clássicos normalmente que não está bem na competição, se supera. E foi o que aconteceu.

O Galo, que atropelava os adversários sem tomar conhecimento, comandado por Marques, em sua melhor fase com a camisa alvinegra, acabou vítima do seu rival. Alex balançou as redes aos 11 minutos e aos 33, de pênalti, na etapa complementar. Quando a derrota parecia certa, a reação veio. Empurrado pela Massa, o Glorioso diminuiu aos 42, com Ramon cobrando falta. Aos 44, Marques deixou tudo igual e o Gigante da Pampulha quase veio abaixo, com a festa da torcida atleticana, maioria esmagadora nas arquibancadas.

O Atlético chegou às semifinais do Brasileirão naquele ano – a última grande campanha do time na competição. Acabou eliminado pelo São Caetano e pela chuva. Ainda assim, aquele time de vitórias epopéicas, deixou grandes lembranças.

Rememorando aqueles momentos, parece ter passado bem mais que 10 anos. Muita coisa mudou. O cenário, os personagens e, principalmente, os times.

O Mineirão jamais será o mesmo, arquibancadas de cimento e quase 90 mil pessoas. O time estrelado parece igual: a falta de qualidade é semelhante. E o Galo? Voltará a ser um time de craques e resultados empolgantes?

Saudações alvinegras!

Renata Silva